sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Esboço

Sou a linha torta, que teima em sair da margem, fora de esquadro
Rabiscado e colorido a exaustão, até um dia ser esquecido.
O papel foi envelhecido pelo tempo, porém suas cores se mantêm intactas.
Talvez não seja tão colorido como poderia supor, mas a incerteza incomoda
Com suas linhas tortas e disformes, talvez não tenha tanto valor
Mas quem possui pode encontrar alguma serventia
Há aqueles, contudo, que decidem decifrar os arabescos, as trilhas sinuosas
E apagando um borrão e outro, e com um pouco mais de cor
É preciso ter cuidado em seu manuseio, pois a fragilidade do papel é grande.
O desenho vai ganhando contornos, forma , vida.
Porém o sábio, na ânsia pela perfeição, após retoques e mais retoques
Enfim percebe, a perfeição é um engano, que a beleza do desenho era justamente
As linhas tortas, fora de margem e esquadro... Porém já é tarde, resta apenas recolher-se
em meio a decadência e imaginar a beleza perdida de outrora.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Revolução no Brasil?

O livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda, escrito em 1936, ainda mantém sua contemporaneidade e serve como manual para entender os entraves que o nosso país ainda enfrenta.
A começar pelos primórdios da formação dos povos hispânico e português que sempre foram voltadas mais ao prestígio pessoal, culto da personalidade e de certa forma "aventureira" ao contrário de outras regiões da Europa (principalmente os países protestantes) onde existia o culto ao trabalho e maior senso de coletividade. Com isso, as instituições desses povos eram mais frágeis e de certa forma sem muita organização. Buscavam de forma incessante o prestígio, utilizando-se da corrupção muitas vezes para alcançar tal intento, que era facilitado por debilidades institucionais. Tudo isso foi transmitido a nós por advento da colonização e, de certa forma, é uma herança portuguesa. Além disso, para corroborar esse fato, a utilização da mão-de-obra escrava mostra a "repulsa” dos portugueses pelo trabalho manual. Outro conceito utilizado por Buarque foi de que o português poderia ser chamado de semeador, por ser bastante ligado ao litoral com suas construções disformes e assimétricas com pouquíssimo planejamento, até por que, como dito acima, o principal desejo do português era o enriquecimento rápido e com o menor esforço possível.
Com essa herança lusitana foi se criando certos conceitos da identidade brasileira, como diz Buarque no capítulo "Homem cordial”, por exemplo, que o pensamento racional e a intelectualidade só eram importantes no sentindo de criar prestígio ou diferenciação com os demais e, consequentemente, gerar riqueza ao possuidor do mesmo. Por isso, mesmo o brasileiro presa pela superficialidade do pensamento racional, e as relações interpessoais sempre foram marcadas por serem mais simples e diretas, como sendo uma extensão da família, criando-se dificuldades nas negociações com outros povos, como o europeu, que está acostumado com relações mais padronizadas e menos intimistas que os brasileiros.
Essas características ainda persistem no Brasil atual, e está ainda mais exacerbada devido o Brasil estar inserido no sistema capitalista. Com isso, a individualidade ganhou maior importância do que tinha no passado. Pois, se antes os recursos eram mais abundantes, hoje são mais escassos e a competição é mais feroz. A busca por “prestígio" torna-se mais difícil e sobra menos tempo ainda para se dedicar a outras atividades. O fato de nossas relações interpessoais serem vistas como “extensões da família", cria-se uma confusão entre o público e privado na sociedade, propiciando que a corrupção floresça em um campo fértil.
Com instituições fracas, a chamada “coisa pública” foi sendo relegada a uma segunda categoria em face da vida cotidiana. A corrupção torna-se latente e parte do sistema público que mesmo que percebida pela população a falta de um sistema educacional eficiente (uma herança lusitana, e considerada menos importante) propicia tal fato. Como a elite "intelectualizada" beneficia-se da ineficácia do sistema, uma mudança de paradigma torna-se impossível. O senso de coletividade no Brasil e frágil já que possuímos como preocupação última, “nós mesmos”, e por herdarmos a personalidade aventureira dos portugueses pouco afeitos ao trabalho, criamos soluções para melhorar nossas condições sem utilizar muito esforço, como por exemplo, o pensamento que, se a educação pública é ruim, então se cria o ensino privado, se a saúde está péssima, então se cria planos de saúde e etc. Porém, só uma pequena parcela da população tem acesso a tais benefícios, e é essa parcela (vulgo chamado de classe média) que pretende ascender e torna-se a elite. Assim, nessa classe, a disputa por prestigio é maior, pois, a debilidade do sistema e das instituições facilitariam essa ascensão. Por ser uma camada mais intelectualizada do que a "massa" seria, em tese, a classe para iniciar a “Revolução”, porém, ela no Brasil tem outras pretensões, um deles a manutenção do status quo.
Caso haja uma revolução no Brasil, ela deve se concentrar nas camadas mais pobres. Nesses, o sistema "contaminado" e "vicioso" causa os maiores estragos, portanto sua preocupação principal é a melhora de sua condição, e não necessariamente uma ascensão á elite por isso seria os maiores beneficiados por um sistema eficiente e menos desigual, mas o grande problema é que tal massa possui pouca instrução suficiente e tem preocupações mais urgentes (sustento familiar, questões de moradia, trabalho entre outras), portanto é difícil mobilizá-la. Uma mudança de paradigma no Brasil está longe de acontecer, e a manutenção do status quo é o mais provável.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Individualidade

Nossa sociedade, cada vez mais valoriza o individuo ao invés do coletivo, tendo como preocupação
última nós mesmos, essa preocupação é exacerbada ainda mais pelo sistema capitalista, onde vemos os demais homens como potenciais competidores, rivais por poder, status ou riqueza. É do instinto humano preocupar-se com sua própria existência e sobrevivência, porém a sociedade moderna em busca por liberdade e satisfação social, transforma o instinto em algo fulcral, assim somos tomados pela sensação que somos o "centro do mundo", e que nossos problemas e anseios são o que realmente importa, em detrimento dos problemas e anseios dos outros. A desigualdade passa ser corriqueira, afinal, é uma sociedade de “jogo de soma zero“, onde um individuo só ganha, quando outro perde, portanto a exploração é latente e com isso a pobreza e miséria também o é. Essa falsa liberdade que nos é dada, faz com que nos afastemos cada vez mais, principalmente pelo clima de rivalidade que se instaura.
Na antiguidade, principalmente em Atenas, a liberdade do individuo era pequena na esfera privada, pois buscava-se o ideal do bem comum, então para tal existia grande liberdade na esfera publica onde o povo tinha voz ativa para decidir os rumos do estado e da sociedade, buscando sempre o bem do coletivo como um todo, por mais que os indivíduos tivessem que fazer algumas concessões para que tal fato ocorresse. Atualmente o coletivo faz concessões para que o individuo se fortaleça, e gozando de extrema liberdade na esfera privada em detrimento da publica. Mas numa sociedade assimétrica como a nossa, uns ganham mais e outros menos com tais concessões, criando ainda um clima mais favorável para que a desigualdade entre os homens se fortaleça, criando um sensação falas de liberdade, já que nem todos poderiam gozar de todos os benefícios da mesma. Além disso essa cada vez maior internalização do individuo, faz com que certos sentimentos inerentes ao homem como solidariedade e sensibilidade fiquem cada vez mais raro, até por que a sensibilidade é vista como sinal de fraqueza, e esquecem que é preciso sentir o “meio” para depois intervir no mesmo. É imprescindível repensar velhos conceitos, e criar ou recuperar alguns paradigmas, pois só haverá paz quando a igualdade tornar parte de nossa sociedade

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Orgulho


Por nossa herança católica o sentimento de orgulho sempre foi visto pelo seu lado pejorativo, como destrutivo, mesmo que de certa forma essa visão tenha um fundo de verdade. Porém o orgulho é algo benéfico para o homem, é uma maneira de gerar satisfação, e reafirmar a sua dignidade perante a sociedade e se impor nela. Mesmo que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, diz que todos nascemos iguais em dignidade e direito, a sociedade em meio as suas vicissitudes, faz questão de subtrair essa igualdade de direito, orgulho então é uma maneira de recuperar essa dignidade e inserir-se na sociedade não mais como um pária.
O grande perigo é quando o orgulho encontra-se com a vaidade, sua irmã tempestuosa e insana, e a busca por dignidade e brio, vira arrogância e soberba, tornando o Orgulho extremamente destrutivo. Esse individuo impõe-se na sociedade através de demonstrações de proeminência que muitas vezes ele mesmo não possui, o orgulho é primo também da inferioridade, seja o sentimento de inferioridade que faz com que buscamos nossa dignidade e bem estar social ou que busquemos poder, ao demonstrar valores nos quais não possuímos.
Porém o mais triste é que para muitas pessoas que ostenta o orgulho, ferir esse sentimento, para elas é fatal, pois o orgulho de certa forma é enganoso, pois muitas pessoas acreditam piamente nas doces palavras do SR. Orgulho. E quando o orgulho cai por terra, é como o mundo desabasse, pois o individuo vê que este era seu único valor, seu maior bem, e ai o sentimento de vingança e ódio vem a tona.Portanto, o equilíbrio e tudo, devemos ser orgulhosos sim, mas sem deixar a humildade de lado.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Eleição e Religião

Teoricamente quando uma eleição vai para segundo turno é para que ambos os candidatos aprofundem as discussões sobre suas plataformas de governo dando subsídios aos eleitores sobre quem votar, mas parece que discussões sobre aborto, ou a comunhão ou não de um candidato é de maior importância do que saúde, educação e segurança.
A campanha eleitoral está quase uma jihad, onde dogmas religiosos são usados para obter votos e confundir o eleitorado. Até por que no Brasil grande parte da população não possui instrução e o fanatismo e a intolerância religiosa é muito presente, gerando excelentes oportunidades para que as massas sejam manipuladas. Um tema bastante explorado entre os presidenciáveis é o aborto, mas ao invés de discutir o tema no ponto de vista da saúde pública, que será o papel do futuro presidente, essa discussão utiliza-se do viés religioso, que nada tem haver com o processo decisório, mas usado para jogar as massas contra determinado candidato. Um outro ponto interessante é sentir o peso das instituições religiosas ( principalmente a católica) na sociedade de uma país que se diz “laico”, ao ponto que essas instituições possam ser determinantes para escolha de um presidente.
A situação é preocupante, afinal a ultima vez que uma instituição religiosa tentou demonstrar sua força política, João Goulart foi derrubado e instaurada uma ditadura militar, naquela época o comunismo foi usado como “bode expiatório”, e hoje qual será o discurso “defesa da vida”? Só espero que a contribuição das religiões no sistema políticos fiquem por aqui, mas todo cuidado é pouco.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quem sou eu?

É difícil me entender e definir-me com palavras, afinal somos seres complexos, que somente palavras não conseguem exemplificar. Sobre mim posso tentar elaborar certos conceitos, abstrações, mas nunca será totalmente confiável, pois afinal poderei estar apenas dizendo como gostaria de ser e não como sou, posso dizer como sou e esconder certos detalhes, ou quem sabe escrever exatamente como sou, as possibilidades são diversas, o importante é que cada um tire suas conclusões
Uma característica minha é o idealismo, tenho o desejo de mudar o mundo, o que de certa forma soa como egoísta, pois talvez a minha visão de mundo perfeito não seja a sua. Sou reservado com quem não conheço, mas se ganhar minha confiança a terá “ad eterno”, por mais que a situação prove ao contrário minha teimosia faz com que ainda tenha fé na huminadade. Dicotômico, pois sou ao mesmo tempo extremamente ansioso e calmo, é muito raro me ver nervoso, sempre procuro agir com a razão, por mais que meus instintos queiram agir com a emoção. As vezes me acho nostálgico, me sentindo um perdido numa época onde ainda não em adaptei, adoro um lirismo. Um defeito diria o orgulho, e sobre fraquezas tenho várias, mas não gostaria de dar “trela” ao inimigo,Sou mais de agir do que falar, se gosto de você vou demonstrar e fazê-lo sentir isso, e não falar doces palavras, e agir com demagogia. Na realidade cada dia mais me conheço com maior intensidade, os poucos vou me decifrando, portanto não tenho uma resposta definitiva. Podem tentar me decifrar, não será uma tarefa das mais fáceis, porém se valer o risco, mas cuidado para não ser devorado no processo

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Felicidade

Se tem algo que todo homem persegue é o sentimento de felicidade, a satisfação de seus prazeres. Se perguntar para qualquer pessoa é óbvio que ela irá optar por sentir-se feliz 100% de seu tempo. Mas digamos que esse desejo pudesse ser realizado, será que a felicidade não perderia seu encanto? Se todo mundo fosse feliz, a felicidade seria rebaixada a uma mera formalidade, seria comparada ao ato de andar, respirar, perderia boa parte do seu valor e no fim não iria satisfazer os prazeres do homem.
Portanto a felicidade tem seu valor justamente por ser efêmera e breve, confortando por um curto período de tempo , é como um vicio, que quanto menos se tem, maior é a necessidade de obter o produto no qual é viciado. Um paraplégico por exemplo, persegue um dia voltar a andar, algo que para uma pessoa sã e um ato extremamente corriqueiro, tudo que é breve, raro gera felicidade, quando isso torna-se parte do cotidiano, no máximo que chegamos é a sensação de contentamento. Só existe a felicidade pois conhecemos seu antítese que é a tristeza, e o segredo não é ser feliz o tempo todo, e sim encontrar um equilíbrio entre os dois estados, a felicidade é boa, mas nos tornam cegos e a tristeza é ruim mas faz com que aprendemos.